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Código de Ética e Responsabilidade Social
A distância entre as práticas aponta visão de marketing no comportamento das empresas As empresas brasileiras estão mais preocupadas em estabelecer códigos de ética para disciplinar suas relações com os stakeholders (as partes interessadas). É o que mostra a 1 Pesquisa sobre Código de Ética no Brasil, realizada pelo Instituto Brasileiro de Ética nos Negócios, que usou com base de dados as 500 maiores empresas em atuação no País, em 2006. Do universo pesquisado, 112 empresas afirmaram ter código de ética. Apesar de ser um resultado positivo, a pesquisa contém revelações sem dúvida inquietantes sobre a qualidade das práticas de responsabilidade social adotadas. Das 500 empresas pesquisadas, 63,4% afirmaram adotar práticas de responsabilidade social. No entanto, apenas 22,4% disseram ter código de ética e 24,4% disseram ter balanço social. Adotar ações de responsabilidade social sem código de ética é uma inversão de valores. A distância entre as práticas (código de ética, responsabilidade social e balanço social), mostrada pela pesquisa, abre espaço para um questionamento sobre o que é verdade e o que é mero marketing entre as práticas alardeadas na mídia pelas empresas. Uma visão unicamente "marketeira" nessa seara precisa ser revista ou vai acabar saindo caro. A imagem da empresa que não entrega o que promete ficará no mínimo chamuscada no mercado financeiro e no consumidor. Os investidores certamente vão pagar menos pelas suas ações. Num mercado tão competitivo quanto o atual - em que os produtos viraram commodities, aumentando o valor da marca - no mercado consumidor cuidar da imagem não é mera vaidade. Se a empresa não cria uma cultura ética, pode adotar as melhores práticas de governança, de responsabilidade social, mas elas não vão sair do papel, afirma o advogado Marcelo Coimbra, do Escritório Almeida Tavares Focaccia, que também é professor e coordenador do curso de pós-gradução em governança corporativa e sustentabilidade da Fecap. "Não adianta falar que é responsável se não adota padrões éticos no relacionamento com seus fornecedores, colaboradores enfim com todos os públicos de interesse da empresa", diz. Para Coimbra vale a pena investir na ética. "Adotar código de condutas éticas ajuda a empresa a cria um espírito de equipe que aumenta sua rentabilidade, a fidelidade dos colaboradores, enfim intensifica o vin-culo entre ela e seus participantes", afirma. O advogado lembra, porém, que não basta ter um código de ética no armário. É preciso que ele esteja bem divulgado, que sua adesão seja obrigatória e que o cumprimento de seus normas seja supervisionado adequadamente. Uma empresa que age dessa maneira tem mais argumentos para se defender num processo de quebra de sigilo ou de assédio moral, por exemplo, conta Coimbra. No caso de um determinado funcionário ser acusado de alguma dessas práti-cas, a empresa pode não ser arrolada no processo, se seu Código de Ética condenava explicitamente tais atitudes. Setores e empresas Dos 25 setores aos quais pertencem as 500 empresas, o único em que o número de companhias com código de ética é maior que o de responsabilidade social é o eletroeletrônico. Das 26 empresas avaliadas nesse setor, 20 adotam código de ética (sendo que seis criaram código no Brasil e 14 adotam os códigos de suas matrizes no exterior), enquanto treze tem responsabilidade social. No setor de serviços públicos, estão a maioria com responsabilidade social. Das 64 pesquisadas, 46 tem responsabilidade social e 35 empresas adotam código de ética (32 são locais e três da matriz). Comparando as 100 maiores empresas de capital aberto listadas na Bovespa, a pesquisa mostra que elas apresentam resultados superiores às demais tanto na elaboração e divulgação do código de ética, quando de responsabilidade social e balanço social. Além disso, a pesquisa aponta que essas companhias tendem a seguir os padrões internacionais para estabelecidos para essas práticas. A Bovespa tem mais de 300 companhias abertas e pode ser um veículo de estímulo para que mais companhias criem seus códigos de ética. Segundo Coimbra, uma boa idéia seria incluir a necessidade da empresa ter código de ética nos níveis de governança - Nível 1, Nível 2 e Novo Mercado, o mais exigente - criados pela Bolsa. Ele funcionam como um termômetro da grau de transparência das empresas, o que é contemplado nos preços dos seus papéis no mercado. Analisando as 50 maiores empresas, o estudo detectou que as privadas possuem um melhor resultado em relação as estatais quanto à divulgação de códigos de ética. A adoção de códigos de ética também é mais acentuada nas matrizes das empresas fora do país do que no Brasil na média das empresas.
Fonte: Gazeta Mercantil |
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