CIESP - Responsabilidade Social

Eficiência Energética

Redução de consumo pode gerar economia de até 100 bilhões de euros por ano.

Em evento realizado no Ciesp, debatedores mostram que é possível conciliar desenvolvimento sustentável e competitividade nas indústrias.

img_philips_g.jpg 


Uma redução de 20% no consumo de iluminação, que é responsável por 19% do uso da eletricidade no mundo, representaria uma economia de 50 a 100 bilhões de euros por ano. Essa economia no consumo pode resultar também na diminuição de 300 a 600 milhões de toneladas de emissão de gás carbônico (CO2), um dos principais gases estufa que contribuem para o aquecimento global. A projeção, que mostra como a sustentabilidade pode trazer ganhos para a economia, foi feita por Yoon Young Kim, vice-presidente da Philips Lighting, em sua apresentação no “Debate Público sobre Eficiência Energética”, promovido pelo Departamento de Responsabilidade Social (DRS) do Ciesp em parceria com a Philips, no dia 31 de maio.

O objetivo do encontro foi integrar o tema do aquecimento global aos negócios do país e estimular a sustentabilidade das empresas, e contou com as presenças de representantes da ONU, Eletrobrás, CPFL Energia e Ong WWF. Para o presidente do Ciesp, Claudio Vaz, o debate é importante para alertar a indústria sobre o custo ambiental da produção, que tradicionalmente é tido como entrave ao desenvolvimento. “Temos todas as opções necessárias para aumentarmos a eficiência da produção utilizando os recursos que temos disponíveis”, afirmou. “Privilegiar a prevenção e o uso racional do que já existe é melhor do que, depois, termos de reparar um mal”, acrescentou Vaz.

Um novo tipo de mercado
Seis palestrantes apresentaram ao público, em 15 minutos de explanação cada um, suas visões em relação à eficientização da energia. Harry Verhaar, diretor mundial de energia e mudança climática da Philips Lighting, sugeriu medidas políticas para agilizar a adoção das novas tecnologias, como a implementação de um imposto mais baixo para produtos eficientes, e impostos maiores para os que ainda utilizam tecnologia obsoleta.

Para Hamilton Pollis, chefe da Divisão de Planejamento de Conservação de Energia da Eletrobrás, o mercado tem se tornado bastante competitivo. “Depois do apagão energético de 2001, as pessoas começaram a valorizar a compra de equipamentos mais eficientes”, garantiu o engenheiro, que em sua apresentação falou sobre o selo Procel de Economia de Energia – uma parceria com as indústrias para a etiquetagem de produtos com maior eficiência energética.

Projeção para 2020
Karen Suassuna, gerente de mudanças climáticas da Ong WWF Brasil, ressaltou que poucas entidades voltadas à proteção ambiental trabalham com a questão da energia. De acordo com ela, o Brasil é o 4º emissor global de gases que causam o efeito estufa, sendo 62% provenientes do desmatamento, 22% da agricultura e 16% da energia. “É um número que, em longo prazo, tende a subir devido ao aumento do consumo”, afirmou.

A representante do WWF apresentou a Agenda Elétrica Sustentável 2020, um estudo de cenários para um setor elétrico eficiente, seguro e competitivo no Brasil. De acordo com o relatório, que propõe um cenário elétrico sustentável, haveria uma baixa de 78GW (gigawatts) de consumo de energia, além da economia de R$ 33 bilhões na conta nacional de eletricidade, estabilização nas emissões de CO2 e diminuição do risco de novos apagões. Para isso, o estudo propõe maior utilização de fontes renováveis e redução da necessidade de expansão de capacidade instalada de tecnologias convencionais (como por exemplo, as hidrelétricas).

“Explorando fontes renováveis, como biomassa e energia eólica, estimamos 8 milhões de novos empregos, o que é excelente para a economia do país”, garantiu Karen. De acordo com ela, é comum as pessoas alegarem que o estudo não atende as demandas de crescimento do país. “Usamos os mesmos dados já existentes nas projeções de desenvolvimento feitas pelo governo. Queremos mostrar que é possível conseguir outro cenário utilizando as mesmas bases”, rebateu a gerente do WWF.

Para ONU, mudanças climáticas afetarão diretamente a economia
“O custo da falta de ação é muito mais caro do que o da ação”. A frase é de Kiyotaka Akasaka, secretário-geral adjunto do Departamento de Informação Pública das Nações Unidas (ONU), criticando a postura de países desenvolvidos em resistir aos acordos sobre aquecimento global, pela justificativa de que o crescimento econômico seria prejudicado. O secretário disse ainda que uma das principais preocupações do órgão internacional é negociar o novo acordo global, que deve ser discutido em uma conferência sobre o clima em dezembro, na Indonésia, para entrar em vigor dentro de dois anos. 

Baseado nos dados do relatório IPCC/ONU (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), Akasaka fez um panorama das mudanças previstas para a América Latina: aumento da temperatura, diminuição da umidade do solo, salinização e desertificação das áreas agricultáveis, o que vai afetar diretamente a economia e setores industriais. “Não é minha intenção fazer um discurso apocalíptico. Temos opções boas e realistas para começar a mudar esse quadro, como o uso eficiente da energia”, ressaltou. O secretário também elogiou o Brasil em sua capacidade inovadora, citando o exemplo do uso de MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo).

Vitor Seravalli, diretor do Departamento de Responsabilidade Social (DRS) do Ciesp, enfatizou a importância de colocar o tema em debate. “A sustentabilidade tem que ser buscada como estratégia nas empresas, e nossa missão é ajudar a criar essa consciência”, afirmou. Henrique Lian, gerente de sustentabilidade da CPFL Energia, aposta no diálogo e na parceria entre sociedade, governo e iniciativa privada para a mudança do quadro. “Precisamos sair do estado de diagnóstico, propondo ações de adaptação, mitigação e reversão”, sintetizou.

Agência Ciesp de Notícias
Mariana Ribeiro
1/06/2007

 
< Anterior   Próximo >

CIESP - Centro das Indústrias do Estado de São Paulo | atendimento@ciesp.org.br
Av. Paulista, 1313 - São Paulo - SP - Cep: 01311-923 | Fone: 11-3549-3270